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domingo, 15 de abril de 2012

Lusitânia Low Cost - Take 2

Quando iniciamos o trajeto de carro em direção à Portela do Homem, em pleno Gerês, eu não sabia bem o que me esperava nesse dia. O sol brilhava intensamente e havia um calorzinho timido que prometia atingir temperaturas dignas de uma primavera adiantada.
Após estacionar o carro de forma legal junto à Portela do Homem pegamos nas mochilas e deslocamo-nos para o nosso destino: as minas dos carris.
As minas dos carris são umas minas de Volfrâmio abandonadas que se localizam no ponto mais alto do Gerês - cerca de 1.400 m de altura. De acordo com alguns historiadores, o volfrâmio desta mina foi utilizado pelo exécito nazi no seu esforço de guerra.
O grande problema é que para se chegar ao topo para vislumbrar as minas dos carris, temos de percorrer um total de 21 km (ida e volta) a pé por um percurso com grau de dificuldad elevado. Eu não sabia mesmo o que me esperava...
Cerca de 5 minutos de caminhada a partir da Portela do Homem leva-nos até o início do nosso percurso. Não há margem de erro. O percurso começa junto a uma bela cascata formada pelo Rio Homem. É nesse local que temos de sair da estrada para nos envolvermos na serenidade do Gerês.
O silêncio do percurso é apenas quebrado pelo som das águas do Rio Homem e pelos nossos passos em contato com os pedregulhos do caminho.
A subida deve ser feita com cuidado tendo em conta que o chão é instável. Infelizmente, por esse motivo, só parando é que é possível usufruir das fabulosas vistas.
Paramos por momentos para descansar num local onde a simbiose entre o rio e o seu leito era perfeita. Foi aí que me apercebi como era fantástico o local onde estavamos... E poucos são aqueles que vislumbram esta vista.
Continuando a díficil subida em direção às minas dos carris, ainda nos cruzamos com uma pequena serpente que habilmente simulou estar morta e chegamos à conclusão que que não tinhamos levado água suficiente. Deste modo, tivemos de recorrer à água do rio.
Foram necessárias 4 horas de subida em esforço para chegar às minas.
As minas dos Carris são uma verdadeira aldeia fantasma no cimo da montanha. Há um misto de clima assustador e de deslumbramento. As vistas em direção a uma distante Pitões da Júnia são fantásticas, mas há sempre um mistério associado ao modo como aqueles mineiros viviam naquela zona.
Começamos a nossa descida com receio de perder a luz do dia. O grau de dificuldade na descida é superior tendo em conta que as pedras soltas do percurso aumentam o risco de torção de joelhos ou tornozelos. Não obstante, a descida demorou 2h30, sempre com luz natural.
Como estavamos em pleno contacto com a natureza, ainda tivemos um encontro imediato com um javali que, felizmente, teve mais medo de nós do que nós dele.
Foi uma experiência bastante completa. Quando chegamos ao carro estavamos num ponto de quase exaustão física e decidimos jantar na Vila do Gerês.
A Vila do Gerês ainda tem um glamour especial e tem atividade social que não estava à espera para um sábado de época baixa. Jantamos no "Novo Sol". Restaurante simpático e acolhedor que merece uma visita a quem procura jantar ou almoçar na Vila.
Ficamos alojados na Pousada da Juventude de Vilarinho das Furnas. O quarto duplo com casa de banho permite uma confortável estadia, ao nível de um hotel 3 estrelas. O único problema são as suas paredes finas que permitem ouvir todas as conversas dos quartos vizinhos.
No dia seguinte, fomos ver a assustadora barragem de Vilarinho das Furnas e imaginar como seria a paisagem antes da sua construção. Esta tarefa foi demasiado difícil. A barragem simplesmente impõe-se na paisagem engolindo nas águas retidas uma aldeia com história e tradição.
Almoçamos em Braga no Casa Pimenta. O próximo destino era o Mosteiro de Tibães nos arredores de Braga.
Comprado a particulares, o Mosteiro foi recuperado para receber visitas organizadas. Atendendo à sua dimensão e interesse histórico e arquitetónico, Tibães promete ser um local de referência no distrito de Braga.
Neste fim de semana, levamos a nossa capacidade física aos limites, mas as vistas fabulosas do percurso às minas dos carris e o Mosteiro de Tibães mostraram que o distrito de Braga tem muito para oferecer.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Take 1 - Fotografias


































Lusitânia Low Cost - Take 1

Dizem que o nosso país é pequeno, mas se calhar para podermos perceber a verdadeira dimensão deste pequeno canto da Europa é necessário ir aqueles locais que estão atrás dos montes e do Douro.
Começamos o nosso projecto Lusitânia low cost, procurando descobrir Vila Nova de Foz Côa, uma pequena cidade do Distrito da Guarda. Para muitos, Vila Nova de Foz Côa é sinónimo de gravuras rupestres, contudo esta cidade tem muito mais para oferecer. Assim, o nosso objetivo principal era outro - percorrer a pé linha de comboio desativada entre as estações do Pocinho e do Côa.
De facto, tínhamos este trajeto em mente desde 2009, ano em que compramos o livro "Pelas linhas da nostalagia". Este livro descreve os percursos a pé nas linhas ferroviárias desativadas do país. Relativamente a este trajeto, os seus autores referem que atravessar a linha do Côa permite aceder a uma paisagem natural que apenas é possível de barco ou a pé. Não conseguimos resistir a este desafio!
Restava fazer a mala para esta aventura.
O que levar? Decidimos que uma ligeira refeição seria suficiente para as horas que iriamos estar isolado. Assim, para além de comida, entendemos levar as 2 cartas militares, bússola, lanterna e roupa quente.
Com tudo acondicionado nas mochilas lá fomos para Vila Nova de Foz Côa.
Para quem vem do Porto, o percurso mais direto é através da A4 em direção a Amarante. Após a portagem, seguimos em direção à Régua e depois enfrentamos um caminho de curva contra curva, subidas e descidas até chegarmos ao nosso destino. Sem grandes pressas, chegamos a Vila Nova de Foz Côa em cerca de 3 horas.
Como saímos do Porto na sexta-feira à noite, ainda chegamos a tempo de dormir no Hotel Vale do Côa. De facto, apesar de todo o fervor turístico associado às gravuras rupestres e ao novo Museu, a cidade não tem grande oferta hoteleira. No site
booking, não está disponivel um único local para dormir. As alternativas são apenas o Hotel Vale do Côa, a Casa Vermelha, Pousada da Juventude, Residencial Avenida e Residencial Marina.
O Hotel Vale do Côa, sem deslumbrar cumpre a sua missão. Os quartos são confortáveis e limpos. A localização central. O pequeno almoço era simples mas agradável.
Sábado de manhã 11h00 no Pocinho. Começamos a nossa aventura. De mochila às costas, iniciamos o nosso caminho. Logo no seu início tivemos de atravessar um rebanho de ovelhas que se alimentava nas linhas desativadas. O nosso receio de sermos abordados por um cão pastor não se confirmaram e fomos ignorados pela primeira vez por animais naquele dia.
Andar pelas linhas de comboio não é fácil. Com efeito, as pedras, a madeira e a vegetação dificultam cada passo dado. Não obstante, com o percorrer da distância, cada vez mais ficavamos isolados no mundo. Bastava pararmos um pouco para sentirmos ûm silêncio quase absoluto que apenas era quebrado pelo barulho de aves. Durante a primeira hora, era possível observar do outro lado do Rio Douro uma estrada. No entanto, a estrada acabou por seguir outro caminho que não o paralelo ao nosso. Estavamos ainda mais isolados. Se calhar não iriamos ter qualquer contato humanos até o nosso destino. Não poderiamos estar mais enganados. Após cerca de uma hora e meia de percurso, avistamos uma pessoa na linha. Quando nos aproximamos mais, pudemos constatar que a pessoa estava armada. Era um caçador que olhava de forma fixa para o monte. Decidimos conversar um pouco com ele. Explicou-nos que estava a ter lugar uma montaria ao javali, mas que não havia perigo para nós. O caçador mostrou ter muito interesse na sua região e na revitalização da linha de comboio onde nos tínhamos cruzado.
Continuamos o nosso percurso. A montaria estava no seu auge. Diversos caçadores estavam estrategicamente localizados ao longo do monte enquanto outros gritavam de forma entusiasta. Rapidamente saímos da zona da montaria e voltamos ao percurso calma que tínhamos encontrado no início. De vez em quando, um cão de sino no pescoço e com o pêlo molhado passa por nós. Nenhum nos deu a mínima atenção, continuando o seu trajeto como um bom profissional concentrados nas suas tarefas auxiliares à montaria.
Novamente isolados, continuamos a usufruir da paz da linha desativada, das águas calmas do douro e das amendoeiras em flor. Paramos para almoçar debaixo da sombra de uma oliveira antes de avançar para a última parte do caminho. Por vezes, deparavamo-nos com antigos apeadeiros destruídos, até que nos aproximamos do último previsto - a estação do Côa junto à ponte sobre o rio Côa. A nossa caminhada tinha aparentemente chegado ao fim, mas ainda queriamos ir ao Museu do Côa. A única hipótese foi avançar pelo monte em corta-mato até encontrarmos um pequeno caminho que nos levou ao Museu.
O Museu ainda está com um funcionamento deficitário. Do ponto de vista arquitetónico, é dificil compreender como o espaço não está mais virado para a vista fabulosa que a rodeia. Todavia, este museu tem um conceito dinâmico e interativo que o torna interessante. Vale a visita.
Vila Nova de Foz côa tem ainda muito mais para oferecer - as pedreiras do poio, as gravuras rupestres, as amendoeiras em flor, a paisagem natural. Um fim de semana nesta região do Douro faz-nos abraçar um portugal distante, muitas vezes esquecidos, mas que rodeia um dos ex-libris do país - o Parque Natural do Douro.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Lusitânia Low Cost

Há muito que queria viajar por Portugal, conhecer um pouco mais do país tantas vezes deixado para segundo plano. Queria visitar as gravuras de Foz Côa, passear pela Gerês, descansar à sombra de um sobreiro alentejano, nadar ao largo das  Berlengas...

Uma resolução de ano novo veio trazer à luz do dia um novo projecto: o Lusitânia low cost. A ideia é percorrer o país, um lugar ou aldeia por cada distrito, em fins-de-semana low cost, tirando partido de pousadas da juventude, pequenas estalagens, parques de campismo e chegando de carro, autocarro ou comboio.

E, assim, um distrito por mês conhecer Portugal é o nosso objectivo para os próximos tempos.


Começamos este fim-de-semana com o distrito da Guarda, onde visitaremos Vila Nova de Foz Côa.